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da betsson: O surgimento do VAR reduziu o chororô de dirigentes, jogadores e torcedores contra marcações da arbitragem. Também diminuiu efetivamente os erros cometidos pelos homens do apito durante os jogos, dando mais justiça aos resultados. Isso, mais do que uma opinião quase unânime – até os adversários sensatos da tecnologia reconhecem -, é algo que pode ser facilmente comprovado pelas estatísticas do Brasileirão e da Libertadores, só para citar os dois campeonatos mais importantes.
Na medida em que as competições vão chegando a seu momento decisivo, que cada ponto ganho ou perdido faz a diferença, seja na briga pelo título, seja na luta para não cair, os ânimos vão se exaltando e a checagem de vídeo entra, cada vez mais, na alça de mira da cartolagem. Uma reação nada surpreendente, aliás, trata-se do mesmo rol de pressões e reclamações de sempre, na verdade muito mais um jogo de cena, para a plateia, do que algo realmente baseado em argumentos plausíveis.
Nas últimas rodadas tivemos o Vasco querendo anular o jogo contra o Grêmio alegando erro de direito do árbitro ao anular o segundo gol que lhe daria o empate contra os gaúchos em Porto Alegre, e vimos o presidente do Palmeiras, Mauricio Galliotte e o técnico Mano Menezes protestando contra interpretações e o protocolo do VAR que segundo eles têm beneficiado o Flamengo. Neste fim de semana foi a vez do Internacional disparar sua artilharia contra o uso do vídeo e a comissão de arbitragem da CBF.
– O Inter foi um dos primeiros clubes a defender o VAR e fomos minoria no passado. O VAR é um instrumento que veio para facilitar, mas ele é administrado e operado por pessoas, e, do jeito que as coisas estão acontecendo, estamos pensando o contrário, em retirar o nosso apoio. Acho que o VAR está correndo risco no Campeonato Brasileiro – disse Roberto Melo, vice-presidente do futebol do Colorado, após o empate contra o Cruzeiro.
Foi o ataque mais duro e também o mais consistente de todos. Melo, ao comparar a marcação do pênalti a favor da Raposa, com este fim de semana o lance em que Guerrero foi derrubado dentro da área no jogo com o Flamengo, há dias, bateu num ponto essencial da questão: os critérios, estabelecidos pelos humanos, para que o sistema seja acionado e interpretado corretamente. Não há dúvida de que isso precisa ser ajustado. Mas, também é certo, problemas protocolares têm pipocado por todo o mundo, não são uma exclusividade daqui. O que está faltando é mais clareza da CBF na definição de critérios e um treinamento mais efetivo não apenas para quem fica na cabine diante das TVs mas também em campo com o apito na boca.
Outro ponto importante, e já não é sem tempo de isso acontecer, é uma participação mais ativa da Fifa ditando regras claras e padronizadas para a aplicação dos protocolos em todo o mundo, já que os critérios têm variado também de acordo com quem é o dono do VAR. Teria, por exemplo, o procedimento da arbitragem ao anular – corretamente diga-se de passagem – três gols do Flamengo contra o Grêmio sido o mesmo se o jogo fosse da CBF e não da Conmebol? É uma incógnita mas, pelo que tem se visto no Brasileirão, talvez o lance do empurrão de Gabigol antes da conclusão de Everton Ribeiro contra a meta gremista, não fosse considerado pelos juízes do VAR-Brasil como um lance que os levasse a chamar o arbitro de campo para anular a jogada
Apesar do acirramento das polêmicas e de interpretações com uma boa dose de divergência, o que não se justifica são as insinuações de que o VAR tem camisa e que as decisões da arbitragem estejam beneficiando este ou prejudicando intencionalmente aquele clube. Pule-se essa parte. Alimentar teorias da conspiração faz parte da cultura futebolística tupiniquim. E em nada contribui para o debate de problemas que são reais, nem para melhorar o nível dos nossos campeonatos.